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11/03/2004 22:28
Primeira refeição do dia: 20:10 horas. Cheguei em casa, sem comer o dia inteiro, e ainda fui arrumar tudo o que estava fora do lugar. Sou assim, não consigo fazer algo antes de ter tudo arrumado e certo. Deixo sempre o melhor por último.
Por icq conheci um garoto que mora aqui perto. Obviamente ele nunca me viu. É engraçado isso, até irônico... Mas ele é muito feliz.
Estava andando, o cabelo de qualquer jeito, apenas ouvindo música. Não consigo ser relaxada, mas sou bem preguiçosa pra me manter arrumada. Minha preguiça chega a ser tão grande que até me esqueço de dizer oi ou agradecer, como disse ali em baixo, é preguiça, apenas penso em fazer, mas não faço.
E voltei andando. Já tinha anoitecido, o que me fez sentir melhor, estar protegida pelo escuro, não gosto de sair de dia, muito menos quando estou sozinha. E, quando voltei, apareceu um monte de pessoas na rua saindo de algum lugar, e eu fiquei com vontade de fugir delas, de sair dali, mas não consegui. Eu me senti como se estivesse atrapalhando a passagem. Estava ouvindo música, mas ainda assim... E começou a ventar, quando elas foram embora, o que me fez sentir bem, até quando cheguei na minha rua dei a volta no quarteirão pra terminar de ouvir a música que estava ouvindo... Com vento é tão bom!
Antes passei numa banca de jornal pra comprar pilha e lá tinha um monte de lâminas de barbear. Pensei em comprar, pra quando quisesse me matar conseguir, mas não comprei, não quero mais me matar. Ainda assim fiquei olhando e pensando, puxa, seria bom se tivesse uma em casa...
E depois passei na farmácia e me pesei. Não tinha ninguém lá mesmo... Acho idiota entrar numa farmácia pra se pesar, mas fiz isso, porque estava curiosa... Nunca saio dos 48 ou 49 quilos, e pelo jeito emagreci, estou com 48. E fiquei pensando que tenho que engordar, pra poder ser doadora quando fizer meus 18 anos. Não penso em fazer mais nada depois dos dezoito, nem tirar carta e ter um carro, nem isso... Mas poderei doar coisas, vou querer doar tudo o que der. Quando digo isso, meu irmão sempre ri da minha cara e diz que vou ir lá doar um litro de sangue e receber dois. Eu lembro de ter ficado tão contente quando o médico disse pra minha mãe que eu não era anêmica! Ela vivia dizendo que eu era, que eu não comia etc., que eu iria morrer por causa disso, e vi que ela estava ansiosa pra ouvir que eu era pra poder jogar isso na minha cara, mas quando o médico disse que eu não era, lancei um sorriso bem maldoso pra minha mãe como quem diz: Está vendo? Você estava errada!.
E eu ando tão mórbida... Com certeza se alguém que nunca leu esse blog ler esse post, vai me mandar catar coquinho que nem a Estrela fez daquela vez, mas juro que estou bem, apenas fico imaginando certas coisas... Como ontem à noite. Eu fiquei imaginando se eu fosse ao médico e ele dissesse que eu tinha pouco tempo de vida, pensei como seria engraçado se eu respondesse: Jura? Eu vou morrer? Quando, quando? Que legal!!!, até fiquei pensando em como eu contaria isso para as pessoas: Sabia que eu vou morrer?, sorrindo, contente... Mas acho que isso é o que penso agora, talvez fosse bem diferente, talvez eu ficasse triste e até fiquei um pouco Carpe Diem. É que eu pensei: vou morrer e nem escrevi um livro nem nada, então fiquei planejando terminar o livro de autobiografia, em fazer mil coisas, sei lá qual... Mas depois de morta eu ia me importar por ter escrito ou não um livro? Acho que não. O que me atormenta é aquela coisa de vida após a morte. Ao contrário de todo mundo, eu não queria viver de novo depois de morrer. Acho que por não querer ser mais ninguém além de mim mesma, não pior que eu, e também por não querer começar tudo de novo... Dá preguiça!
Ctrl+Alt+Del, Ctrl+Alt+Del... Recomeça tudo de novo, foi só uma pane. A morte é só uma pane?
Mas eu gosto dessa vida em câmera lenta que eu levo. Ouvindo: Deftones - Street Carp. Ele cantando, músicas doida, me lembra minha vida... É um pouco assim, ele canta tão gostoso, gritando, grito arrastado... Minha vida! Preto, vinho, noite, luz amarela... Isso lembra que é a segunda vez que estou andando na rua e a luz em cima da minha cabeça apaga, acho isso tão interessante, como se fosso algo sobrenatural. Hahaha! Eu sempre dramatizando algo normal! Boooooba! Eu gosto de mim e da minha vida inútil quando ouço uma música que gosto, principalmente Deftones. Vai um pouco além das sensações.
Eu quase ri na que nem boba, eu segurei o riso, ao pensar que houve um tempo em que me cansei dos garotos e fiquei achando que era lésbica, mas as garotas também me dão nojo, daí pensei se eu era daquelas pessoas que gostam de árvores, cachorros, sei lá... Que babaquice! Na verdade eu só gosto de mim dessa forma. Gosto de mim. Às vezes me odeio, mas agora eu gosto. Amor platônico, pois é claro que eu não me correspondo! Eu sou tão difícil... Até pra mim! É ironia, mas acho que tem um fundo de verdade... (!!!)
enviada por Marcely
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